Para que a linguagem existe?
Por Paul Webb

Uma língua desempenha várias funções, muito além de um simples meio de comunicação. Ela proporciona um senso de identidade e de pertencimento ao grupo, viabiliza a nossa criatividade e capacidade de inovar, imaginar um futuro melhor e perceber as diferenças entre pessoas. Ficamos alegres com a beleza da língua e as suas potencialidades de brincadeira, suas ambivalências acabam aprofundando a vida, encantando-nos com a sensação do inusitado.
A competência ao utilizar a língua com segurança e desenvoltura confere prestígio e inspira respeito. Biologicamente, é provável que a linguagem tenha evoluído principalmente em função da exibição e seleção sexual, mais do que pela sobrevivência e adaptação ao meio ambiente.
Sem dúvida, a linguagem pode ser utilizada de maneira nefasta para dominar e controlar. Por outro lado, como mostra a obra pedagógica de Paulo Freire sobre a alfabetização de adultos, ela também pode se tornar um caminho à libertação.
Para uma pessoa que pretende aprender uma língua, cada uma dessas funções — que operam simultaneamente de forma individual e conjunta — exige uma abordagem diferente para a aprendizagem. A maneira como alguém aprende uma língua e os objetivos que deseja alcançar dependem da singularidade de cada indivíduo. A especificidade dessas necessidades e metas deve ser considerada, antes de tudo, em qualquer programa de aprendizagem.
A linguagem não pode ser padronizada, apesar das tentativas de governos e outras autoridades de estabelecer formas rigidamente prescritas. Consequentemente, não pode haver um método uniformizado de aprendizado de línguas. Os usuários continuarão a usar a língua de formas criativas e inesperadas, e a língua evoluirá conforme isso acontece. A linguagem não é apenas uma ferramenta; ela é parte vital da nossa convivência com outros seres humanos, que se torna cada vez mais global e plural.
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What is language for?
By Paul Webb

Language serves many functions. It is not simply a means of communication. Language provides identity and group belonging. It enables us to be creative and innovative; to imagine a better future; and to identify with those different from ourselves. It brings joy through its playfulness and beauty. Its ambivalences add depth to life and enthrall us with a sense of mystery.
The capacity to deploy language with confidence and virtuosity confers status and commands respect. Biologically, it is likely that language evolved primarily in relation to sexual selection and display, rather than for the purposes of survival and adaptation to the environment.
Language can, of course, be used nefariously to dominate and control. But it can also, as Paulo Freire’s work on adult literacy shows, provide a source of liberation.
For language learners, each of these purposes—which can function separately, or in various combinations—requires a different approach to learning. How someone learns a language and the range of purposes to which it is put depends on each unique individual. These specific needs and goals should therefore be the prime consideration in any learning program.
Language cannot be standardized, despite constant attempts by governments and other authorities to give it a rigidly prescribed form. Consequently, there can be no one-size-fits-all language-learning method. Language users will continue to use language in creative and unexpected ways and language will evolve accordingly. Language is not just a tool; it is a vital part of the increasingly global and multilingual environment we inhabit.


